Publicações
Analises

Comunicado COPOM / FED Teste

29 de Junho de 2026

Em decisão unânime, o Comitê de Política Monetária (Copom) reduziu a taxa Selic em 25 bps, de 14,50% para 14,25% a.a., repetindo o movimento anterior e marcando a terceira reunião consecutiva com cortes de juros.

O comunicado trouxe um cenário mais desafiador nos indicadores econômicos. O diagnóstico da atividade foi alterado de "moderação de crescimento" para "aceleração da atividade econômica", com destaque para segmentos cíclicos e um mercado de trabalho que ainda segue resiliente. Sobre a inflação, a linguagem se tornou ainda mais cautelosa, com a inflação cheia e as medidas subjacentes acelerando novamente e "distanciando-se adicionalmente da meta". Para o 4º trimestre de 2027, atual horizonte de referência, a projeção do BC subiu de 3,5% para 3,7%.

Acerca dos riscos, o comitê manteve o trecho em que cita que permanecem mais elevados, dadas as indefinições no Oriente Médio. Todavia, houve a inclusão de um novo risco de alta, "estímulos à demanda agregada, em particular ao consumo", numa menção implícita à continuidade de estímulos fiscais afetando a demanda agregada.

Apesar do diagnóstico mais duro, o Copom justificou o corte ao deslocar o horizonte relevante de política monetária. Como suas projeções no horizonte vigente (4º tri/2027) não comportavam a redução, mas a manutenção da Selic deixaria a inflação abaixo da meta no trimestre seguinte, o comitê passou a se orientar pelo horizonte da próxima decisão (1º tri/2028), no qual avalia haver espaço para o corte sem comprometer a convergência. O comitê argumentou ainda que o período prolongado de manutenção dos juros em patamar contracionista já vem produzindo evidências de transmissão sobre a atividade, o que abre alguma folga para a calibração. Ao adicionar também um trecho citando "serenidade e cautela na condução da política monetária", o Copom reiterou que seguirá avaliando os passos futuros à luz dos dados, sem descartar que parte da inflação corrente, ligada a choques de oferta, se normalize ao longo do tempo.